O consumo moderado e regular de vinho pode estar associado a vários benefícios para a saúde
A ARVP é uma das entidades que integra o programa “Wine in Moderation” e que, a nível nacional, promove ações de sensibilização para o consumo responsável de vinho.
O programa baseia-se em factos científicos, na educação e na autorregulação para organizar e capacitar toda a cadeia internacional de valor do vinho, sensibilizando e reforçando os conhecimentos sobre os padrões de consumo de álcool responsável e o consumo moderado de vinho.
O principal objetivo do programa consiste em juntar todo o setor vitivinícola à volta de uma mensagem comum dirigida a todos os consumidores de vinho além-fronteiras, a todas as gerações e a todos os géneros, independentemente de onde e quando consomem vinho.
O consumo moderado e regular de vinho pode estar associado a vários benefícios para a saúde. Contudo, o risco aumenta com cada copo que ultrapasse o conceito de moderação.
De forma consistente, estudos científicos mostram que consumir quantidades moderadas de vinho podem trazer benefícios para a saúde. Por sua vez, se consumidas em excesso, as bebidas alcoólicas aumentam a exposição a uma vasta gama de fatores de risco, com graves prejuízos para a saúde e também com reflexos nas relações sociais e na família.




2017
As ações desenvolvidas ao longo do ano de 2017 no âmbito do programa “Wine in Moderation” tiveram como principal enfoque a presença em feiras e eventos, sobretudo ligados ao vinho, com informação de sensibilização para o consumo moderado de álcool. Junto dos mais novos, foi divulgado o projeto “Be Smart”, que envolveu a criação de materiais informativos que foram enviados para os municípios, que por sua vez os fizeram chegar aos agrupamentos escolares. O objetivo é informar e educar os consumidores, sobretudo os mais jovens, e sensibilizá-los para um consumo responsável de bebidas alcoólicas, através de um conjunto de ações que pretendem envolver professores, profissionais de saúde e comunidade juvenil.
2018
Neste ano de 2018, a ARVP pretende reforçar as ações de sensibilização, a começar por uma presença mais marcada em feiras e eventos, apresentando um stand que convida os visitantes a descobrir as rotas do vinho e o enoturismo de Portugal, mas sempre apreciando os nossos vinhos com moderação. Em estreita colaboração com a AMPV, a mensagem do consumo responsável de vinho tem também chegado aos municípios e tem sido um dos temas abordados nas reuniões de trabalho que a AMPV desenvolve regularmente com os seus associados.
A ARVP promoveu no Dia dos Namorados a campanha “Vinho com Moderação faz Bem ao Coração”. Uma iniciativa que pretende repetir nos anos seguintes.


ENTREVISTA
Diretor do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD)
Atualmente, qual a tendência do consumo de álcool em Portugal? Que indicadores são mais positivos e, por outro lado, onde é necessário reforçar a atuação?
Portugal tem um dos maiores consumos per capita de bebidas alcoólicas na União Europeia, contudo a situação do país em matéria de álcool apresentada recentemente na Assembleia da República (em conjunto com outros comportamentos aditivos) indica-nos genericamente que as mulheres e os mais velhos estão a consumir mais. Outro indicador importante é o de que os jovens experimentam beber um pouco mais tarde, de qualquer modo, é preciso afirmar que, até aos 18 anos, o consumo de bebidas alcoólicas é proibido no nosso país.
A atuação deve ser coerente e permanente, abrangendo todas as faixas da população. De momento talvez devamos reforçar a informação junto das mulheres e dos cidadãos com mais idade, mas mantendo sempre uma informação contínua junto dos jovens porque é com eles que podemos fazer “a diferença”.
Que peso tem o vinho no consumo de todas as bebidas alcoólicas consumidas em Portugal e em que faixas etárias é que esse consumo é mais preocupante?
Segundo o IV Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral 2016/2017, cerca de 35% dos consumidores de bebidas alcoólicas, bebem vinho diariamente. O consumo de vinho em litros e per capita em Portugal, no ano de 2014 foi de 5,99 l junto da população com 15 ou mais anos, o que a torna na bebida alcoólica mais consumida pelos portugueses. Contudo, os dados permitem-nos afirmar que são os mais velhos que bebem mais enquanto que a população mais jovem prefere as bebidas espirituosas e a cerveja.Tendencialmente, são os homens que bebem mais.
Como tem evoluído o consumo do álcool, e sobretudo do vinho, em particular na população mais jovem?
Especificamente na população mais jovem podemos dizer, segundo os resultados dos estudos realizados em meio escolar, que - de 2011 para 2015 - a tendência geral foi de: Diminuição na percentagem de consumidores de bebidas alcoólicas tanto a nível europeu, como a nível nacional em cada um dos grupos etários dos 13 aos 18 anos, com exceção apenas dos alunos de 18 anos no que respeita aos consumos ao longo da vida e recentes (últimos 12 meses que antecederam a realização do estudo) em que houve estabilidade; Em Portugal, esta tendência global ocorreu também relativamente aos consumos atuais de cerveja e bebidas destiladas/espirituosas mas não quanto ao consumo de vinho que se manteve estável entre os mais novos e aumentou entre os mais velhos; De um modo geral, também diminuiu a percentagem de alunos que declararam ter-se embriagado quer ao longo da vida, quer no últimos 12 meses ou nos últimos 30 dias que antecederam os estudo. A exceção foi de novo o grupo dos alunos mais velhos (18 anos) onde as percentagens se mantiveram estáveis.
Enquanto serviço que promove a redução do consumo de substâncias psicoativas e a prevenção dos comportamentos aditivos, que desafios se colocam ao SICAD para que haja uma maior consciencialização dos perigos e consequências do consumo excessivo de álcool?
Através do FNAS – Fórum Nacional Álcool e Saúde, temos conseguido juntar os vários agentes que se movem nesta área. Desta forma, ouvimos todos, trabalhamos com todos e todos têm oportunidade de dar o seu contributo para que reduzamos o consumo nocivo do álcool. Está cientificamente comprovado que a ingestão de bebidas alcoólicas é prejudicial à Saúde e que não existe um consumo sem risco associado, pelo que o trabalho do FNAS é essencial nesta matéria. Congratulamo-nos por ter no Fórum entidades que representam tanto a área da Procura como da Oferta, como é o caso da ARVP (ligada à Oferta) que, apesar do seu posicionamento no mercado, não deixa de mostrar preocupação com a Saúde Pública e assume a realização dos compromissos nacionais e europeus em matéria de consumo nocivo de bebidas alcoólicas.
O nosso grande desafio, à data, é o de continuar a alargar o número de entidades que fazem parte do FNAS e o número de compromissos que, por elas, são assumidos. Só um trabalho em rede e participativo pode vir a dar frutos no futuro.
A ARVP no âmbito do programa Informação e Educação financiado pelo IVV, desenvolveu uma App que pode ser abaixo descarregada.
Nela encontram-se as principais perguntas e respostas associadas ao consumo de álcool, em formato de Jogo Quizz, Noticias, Perguntas/ Respostas.
Apenas funciona em smartphones.
Descarregue, experimente e divulgue.